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A verdade sobre a Verba Indenizatória
Por Ana Vasco, 22 de Novembro de 2009, 23h44
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Quando um instrumento é mal utilizado no Brasil, infelizmente, aprendeu-se a responsabilizar os seus criadores, desvalorizando a possibilidade de avanços que ele é capaz de proporcionar, ao invés de se responsabilizar o grupo que não soube empregá-lo corretamente.

Aécio foi inegavelmente um dos melhores presidentes que a Câmera dos Deputados já teve. Em sua gestão, que foi de fevereiro de 2001 a dezembro do ano seguinte, ele implementou mudanças radicais em toda a Casa.

Quando ele assumiu a presidência da Casa, o quadro era o seguinte: cerca de 83% das matérias aprovadas pela Câmara eram de autoria do Poder Executivo; a imunidade parlamentar possibilitava que indivíduos eleitos utilizassem seus mandatos para acobertar crimes que cometeram; a instituição tinha uma imagem desgastada e não contava com a participação direta da sociedade; diversas obras e cargos de confiança sorviam o orçamento integralmente.

Em seu mandato, Aécio conseguiu fazer cortes impressionantes com despesas com pessoal, suspensão de obras desnecessárias, redução em 42% do consumo de energia elétrica, implantação de um programa de reciclagem de lixo, e, principalmente, com a criação de um novo modelo de gestão interna, que adotava, entre outras tantas inovações, um sistema pioneiro de pregão eletrônico para as compras e contratos da Câmara. Com tudo isso, ao fim do primeiro ano do mandato, Aécio fez o que parecia impossível: devolveu, ao Tesouro Nacional, 51 milhões de reais que foram economizados do orçamento da Casa.

Isso já seria muito, mas a renovação da Câmara dos Deputados foi ainda mais profunda. Pregando sempre a eficiência dos trabalhos da Casa, Aécio conseguiu inverter a situação relacionada ao número de aprovações de medidas que partiam do Poder Executivo. Ele negociou a limitação do uso de medidas provisórias, permitindo assim que cerca de 65% das medidas votadas partissem do Poder Legislativo.

Aécio também foi responsável pela criação do “Pacote Ético”, que pôs fim à imunidade parlamentar para crimes comuns. Em seu mandato, foi criado o “Conselho de Ética da Câmara” e aprovado o “Código de Ética e Decoro Parlamentar”. Foi também instituída a “Ouvidoria Parlamentar”, responsável por encaminhar ao Tribunal de Contas da União, à Polícia Federal ou ao Ministério Público denúncias de irregularidades apontadas pela população. E mais: a “Comissão Permanente de Legislação Participativa”, que passou a permitir a apresentação de propostas de entidades civis para formulação de projetos que pudessem tramitar na Câmara.

Os avanços não foram poucos para os 22 meses de mandato. Mas, estranhamente, o jornal Folha de S. Paulo questionou, hoje (22/11) a sua responsabilidade pela criação de um outro avanço na casa: a criação da verba indenizatória. Quando Aécio assumiu a Casa, essa já era uma reivindicação antiga dos parlamentares – inclusive da oposição. Os deputados reclamavam da necessidade de manter um escritório de trabalho nos Estados de origem e alegavam que essa manutenção só se viabilizava, na época, com o apoio da iniciativa privada, que exigia favorecimentos em situações de votação. Uma situação absurda. A verba indenizatória, no entanto, já era uma prática adotada por diversos parlamentos - nos Estados Unidos e em vários países da Europa - e sua implementação era justificável, desde que com ela fossem implantados bons mecanismos de fiscalização.

Isso foi feito. Aécio criou a verba e, com ela, o “Núcleo de Fiscalização e Controle da Verba Indenizatória”, subordinado à “Diretoria de Finanças, Orçamento e Contabilidade”, para acompanhar os gastos com os recursos – que só poderiam ser relativos ao exercício do mandato - e as devidas comprovações. Era previsto o controle intenso de todos os gastos, inclusive com auditoria.

A implementação da verba representou, portanto, um avanço inegável. No entanto, no mandato do deputado João Paulo, do PT, na presidência da Câmara, que se seguiu ao de Aécio Neves, o valor da verba aumentou para mais do que o dobro do inicial. Agora, o jornal Folha de S. Paulo teve acesso a documentos que comprovam que empresas fantasmas foram beneficiadas com recursos da verba indenizatória, no segundo semestre de 2008, quando a Câmara era presidida pelo deputado Arlindo Chináglia, do PT. E culpam Aécio Neves pela criação do mecanismo indenizatório.

Pois bem, como nada se cobra das pessoas realmente responsáveis pela fiscalização e pelo emprego das regras claras que foram criadas juntamente com o recurso, apresenta-se clara a utilização desse argumento fraco para um uso puramente político. Se querem culpar os criadores das regras pelo mau uso dos instrumentos, por favor, vamos ter todo o cuidado pois se continuarmos assim logo mais poderão ser julgados os que instituíram o voto direto no país, já que vários cidadãos fazem mau uso do poder de voto para a escolha de seus representantes. O problema, claramente, não foi a instituição de um instrumento, mas o uso incorreto que se fez dele. Essas “ilusões de ótica” não são suficientes para enganar a sociedade e nem para desviar o foco dos problemas que, obviamente, está na falta de ética e de transparência e em uma grave deficiência de gestão.





Comentários(1)

Eduardo Marinho | 23/11/2009 | 16:39
Em política há sempre de se desconfiar das ações que estão por trás de determinadas notícias. A Folha de São Paulo deste domingo publica matéria com título: “Arquivo sigiloso da Câmara revela notas de ´fantasmas´”, que revela denúncias em relação a má prática de alguns deputados federais de, supostamente, estarem utilizando inadequadamente o uso de verbas indenizatórias por meio de notas fiscais frias. A Folha publicou que Aécio Neves foi quem implementou, em 5 de abril de 2001, a verba indenizatória mensal. O jornal induz o leitor ao erro e não dá o direito de resposta ao suposto acusado. É importante entender em que contexto foi criada tal ação. Vale esclarecer que o Governador de Minas não inventou a roda. O mecanismo de verbas indenizatórias para parlamentares é um instrumento legal utilizado em vários parlamentos como Canadá, Inglaterra e outros. É esclarecedor ressaltar que quando esse instrumento foi criado, estava prevista aplicação de auditorias como um dos instrumentos para o uso prático de um rigoroso controle. Aécio não tem nenhuma responsabilidade se houve mal uso de um direito. Os mecanismos de controle público estão aí para isso. A Justiça também. Não se pode criar um instrumento e partir do princípio que haverá fraudes. Entramos no período eleitoral e já parece muito claro quem está do lado de quem. Já que querem falar da gestão de Aécio Neves na Câmara Federal porque não citar a criação do Conselho de Ética para julgar deputados, instrumento que até então não existia. Outra iniciativa de quando era presidente da Câmara foi a implementação da Comissão de participação Popular, que permite ao cidadão reunir assinaturas e apresentar projetos de lei ao legislativo federal. Também foi no mesmo período que foi colocada em votação o fim da imunidade parlamentar para crimes comuns. No afã de condenar Aécio o Jornal erra dizendo que ele criou a verba indenizatória, que não foi ato de uma pessoa só, no valor de R$ 15 mil reais (leia ato original da Câmara). Na verdade quando criada, o valor era de R$ 7 mil. Foi mais que dobrado, em 2004, apenas três anos depois pelo presidente João Paulo do PT (conheça ato posterior publicado pela Câmara). Estranhamente essa informaçao não interessou à Folha que durante o dia contou, por coincidência, com a ajuda da rede de blogs do PT para atacar Aécio. Será por isso que a informação não interessou ao Jornal? Na verdade, apesar do número de páginas dedicado ao tema, na cobertura do Jornal o assunto é retratado em apenas dois tempos na sua criação e agora. Nem uma palavra para o meio do caminho, para a administração do PT que poderia ter cancelado a verba, poderia ter aprofundado os mecanismos de controle e transparência, mas não fez nada além de dobrar o valor dela A Folha que prega um jornalismo isento e equilibrado dá mostras de que lado a sua balança pende. Balança esse que não tem nada a ver com a Justiça. O jornal julga, prejulga e condena sem que haja o direito de esclarecimento dos fatos. O governador de Minas não tem culpa se fizeram mau uso desse instrumento: se o paciente usa o remédio de forma errada a culpa não é do médico. http://jogodopoder.wordpress.com/2009/11/22/folha-de-sao-paulo-erra-ao-incriminar-aecio-neves-sobre-criacao-de-verbas-indenizatorias-para-deputados/




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