Mais uma vez, o jornalista Augusto Nunes oferece a todos nós, seus leitores, um texto primoroso sobre Tancredo Neves e sua relação com a política. A pequena história é a última da série sobre Tancredo, que compõe a seção "Baú de Presidentes", postada em seu blog, que, em breve, será publicada em livro. No espaço dedicado a Tancredo, Augusto conta sobre seis lições que aprendeu com o ex-presidente, no tempo em que, como jornalista, se dedicava à cobertura política, na revista Veja.
Na sexta e última lição postada por Augusto Nunes, ele se lembra de Tancredo, preparando-se para a disputa à presidência, pelo Colégio Eleitoral. Embora já estivesse bastante confiante quanto à vitória, Tancredo ainda não se sentia completamente à vontade para grandes comemorações:
"─ Morro de medo quando meu nome fica em evidência ─ começa Tancredo a repetir uma das frases prediletas. ─ Nunca me convidam para um banquete. Só se lembram de mim na hora da tempestade.
Esse é capaz de conseguir algum tipo de acerto até num Maracanã em dia de Fla-Flu, penso.
─ Mas não aceito o entendimento a qualquer preço ─ ele replica ao que eu não disse. ─ A conciliação só pode ser feita em torno de princípios. É também por isso que acho mais complicado conseguir um acordo entre contrários do que uma vitória eleitoral."
Tancredo, que foi o articulador de uma grande aliança pelo Brasil, ele que sempre foi o grande mestre das costuras e conciliações, nunca aceitou unir-se a quem não defendia o caminho democrático para obter vantagens ou conquistar o poder. Assim, compreendemos o que Aécio Neves, o mais dedicado aprendiz do avô, tem defendido. Criando um elo com aqueles que desejam progressos, com ética e uma gestão eficiente e os avanços mais profundos na área social, Aécio trabalha verdadeiramente pelo país, sem transgredir princípios. É nesse sonho que ele acredita. E é esse o sonho possível para uma vitória ampla e ética, da sociedade.
"Só podia ser Tancredo Neves o candidato da mais multifacetada aliança política da história republicana. Nenhum outro juntaria na mesma campanha todos os autênticos e todos os moderados remanescentes do PMDB. Nenhum uniria num só bloco todos os partidos de oposição, com a exceção previsível do PT, que optou pela abstenção. Nenhum atrairia tantos governistas dissidentes. E nenhum escaparia ao veto ostensivo de oficiais inconformados. Se não existisse um doutor Tancredo, o Brasil teria de esperar sabe-se lá quanto tempo ainda pela ressurreição da democracia".
O texto de Augusto Nunes é imperdível - a despedida revivida de um personagem que marcou a história e os sonhos de nosso país.

Tancredo Neves, "aquele mineiro de 75 anos, baixo,
calvo e de nariz arrebitado, a barriga um tanto pronunciada,
camuflada por ternos bem cortados e olhos escuros e vivos
que se apertavam no sorriso frequente",
na perfeita descrição de Augusto Nunes.
Veja aqui as seis lições de Tancredo, que Augusto Nunes nos ensinou:
Lição nº 1
“Fazer visita é bem melhor que ser visitado”
Lição nº 2
“Não se tira o sapato antes de chegar ao rio. Nem se vai ao Rubicão para pescar”
Lição nº 3
“Escolher o adversário, às vezes, é muito mais importante que escolher o aliado”
Lição nº 4
“Só examine a espuma depois que as ondas pararem de bater”
Lição nº 5
“Um acordo entre contrários é muito mais difícil do que uma vitória eleitoral”
Lição n° 6:
“A conciliação só pode ser feita em torno de princípios”