Pelo Brasil
Por Ana Vasco, 9 de Novembro de 2009, 19h15
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Aécio Neves participou hoje (9/11), em São Paulo, do debate “Uma nova Perspectiva para o Brasil", promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide). O evento contou com a participação de 326 empresários de todas as regiões do país. Em sua palestra, Aécio discorreu sobre o cenário do Brasil atual e sobre os maiores desafios políticos que se apresentarão, para a sociedade e para os gestores públicos, após a administração do governo Lula.
Foto: Wellington Pedro/Imprensa MG
Veja aqui o pronunciamento de Aécio Neves, na íntegra:
E os principais trechos do discurso:
São Paulo
"Não há como estar em São Paulo sem ser tocado pelo sonho do pleno crescimento, com desenvolvimento. Mais do que a poderosa locomotiva que alavanca a economia nacional, aqui, como em Minas, o Brasil se encontra - vivo, trabalhador, ousado, pronto para ocupar, cada vez mais, o seu lugar no mundo. Daqui, podemos olhar adiante e responder, a nós mesmos, que podemos ser o Brasil que queremos e sonhamos.
E nunca estivemos tão perto dele."
Oportunidades necessárias
"Somos, meus amigos, na inteligência e no sentimento de nacionalidade, um país sem dissensões. O que nos falta, ainda, é a igualdade de oportunidades, escolas de boa qualidade e um definitivo e emancipatório programa de distribuição de renda."
Descentralização
"Quase 70% de tudo que se arrecada no país ficam sob a guarda direta do governo central.
Como, então – pergunto - ser o país das oportunidades, se elas florescem distantes de Brasília, mas é lá que permanecem os recursos, submetidos à uma única lógica e poder de decisão? Tenho dito que precisamos de um projeto nacional que liberte das amarras não apenas o Brasil do Sudeste, mas o Brasil do Norte e do Nordeste, do Sul e do Centro-Oeste. E que nos permita, de forma descentralizada, transformar nossas riquezas em bens sociais, renda, oportunidades, e desenvolvimento. Para encontramos o pleno desenvolvimento, o justo desenvolvimento, precisamos criar condições para que cada região brasileira transforme suas vocações e competências em progresso, distribuído de forma equânime, democrática e, portanto, socialmente justa e pacífica."
Desenvolvimento com consenso
"Podemos e devemos construir novos consensos a partir do que nos aproxima, e não simplesmente descartá-los, sem diálogo, como conseqüência do embate sobre o que nos distancia. Em que pesem nossas diferenças – e é natural que elas existam -, podemos e devemos convergir pensando primeiro no país. Especialmente no desenvolvimento de políticas públicas que são essencialmente políticas de Estado. Não pertencem aos governos e muito menos aos partidos. A educação é uma delas. E seguramente é a mais importante."
Progresso com gestão
"Entendo, senhoras e senhores, que é hora de compartilhar com o País - estados, regiões e municípios, forças produtivas e a população, esses grandiosos desafios e os nossas melhores esperanças. Precisamos caminhar todos em uma mesma direção, nestas questões que nos são básicas, para que possamos sonhar com um outro patamar. É com esse olhar sobre o futuro que enxergo um novo cenário possível para todos os brasileiros. Um cenário no qual, por exemplo, deixe de existir a pretensa incompatibilidade entre a boa gestão, a responsabilidade administrativa e as políticas sociais."
Choque de Gestão
"A boa governança é base para políticas sociais realmente transformadoras da realidade. E esta é a essência do que chamamos, no nosso estado, de ‘choque de gestão’. Ele jamais foi um fim em si mesmo, mas o caminho para que essa densa transformação ocorresse. Com ele, ousamos desafiar o senso comum de que o Estado é sempre sinônimo de ineficiência, desperdício, corrupção e desrespeito ao cidadão-contribuinte. Para fazer tudo isso, partimos de uma base simples, mas altamente mobilizadora: gastar menos com o governo, com a máquina pública, para investir mais nas pessoas, na população."
Meio Ambiente e Sustentabilidade
"Falo antes das mudanças climáticas, do aquecimento global, da recente escassez de água, da perda da biodiversidade e da fome que se alastra em grandes regiões do planeta já não são mais ameaças, mas problemas reais e sem fronteiras, que precisam ser enfrentados com responsabilidade e urgência. Não poderemos mais, por imperativo de sobrevivência da civilização, tomar decisões sem considerar o paradigma da sustentabilidade, sob pena de naufragarmos, juntos, na fragilidade social e ambiental do mundo que está sendo construindo. Hoje, em Minas Gerais, temos apresentado ao país, a nossa matéria energética como, talvez, a mais limpa do país, onde 98,5% da energia gerada é energia limpa."
Organização e Participação Social
"Entre 124 países pesquisados no mundo, somos o oitavo em desigualdade. Ela é superior no Brasil que em 90% dos países com economias equivalentes à nossa, o que condena à exclusão uma imensa parcela da população. É verdade que reconquistamos a democracia, com o sacrifício de inúmeros brasileiros. Mas também é verdade que ainda não alcançamos uma organização social, administrativa e política que garanta a todos os cidadãos os direitos que uma autêntica democracia deve respeitar. Hoje, estamos ainda limitados à representação política formal, que muitas vezes reproduz e acentua a distância entre o estado e a sociedade. Se falta ao Brasil esse sentido de ampla participação, também tem faltado, em todos os níveis do setor público, um parâmetro mais elevado de eficiência, além de um inadiável compartilhamento de responsabilidades. Por esse motivo, temos insistido tanto na proposta de que a gestão pública de qualidade deve ser o primeiro item na agenda nacional de debates, neste momento da vida nacional."
Programas Sociais
"Se é nosso dever estimular a economia, não podemos inflar expectativas, com lançamento de programas que se sucedem, mas não se realizam em plenitude, não porque lhes faltem recursos, mas porque foram moldados sob o signo do improviso, da ausência de planejamento e - de novo – do necessário compartilhamento de responsabilidades. Temos que repensar as políticas públicas nacionais, para torná-las mais efetivas e capazes de contemplar os diferentes segmentos da sociedade, com a imprescindível articulação entre os níveis nacional, estadual e municipal de governo com as forças privadas."
Avanços
"Precisamos avançar. Ninguém questiona que é preciso agir para diminuir o impacto da pobreza. E falo isso com a propriedade de quem governa um estado que, com alianças entre governos e as forças privadas, conforme já citei, vem conquistando importantes resultados nesse campo. Devemos, no entanto, aos brasileiros muito mais que isso. É hora de redefinir as formas de articulação entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social. Romper com a concepção meramente desenvolvimentista, para reconhecer que o desenvolvimento social não decorre automaticamente do crescimento econômico. Como endossar essa crença, se temos assistido – ao longo de décadas – o alargamento do fosso que separa o sudeste e o sul de outras regiões brasileiras? Precisamos garantir, como prioridade máxima, que o crescimento da economia promova ganhos reais e sustentáveis para os brasileiros, mas para todos os brasileiros. Para fazer isso, não podemos tratar de forma igual o que é diferente. Tratar de forma igual o que é diferente, é acentuar as diferenças."
História
"Acredito que no futuro não muito longínquo, quando o atual cenário político-econômico do Brasil for analisado sem as paixões eleitorais, sem as influências de uma campanha ou sem as vinculações partidárias. O período que se inicia com o governo Itamar Franco e a concepção do Plano Real, já o presidente Fernando Henrique no Ministério da Fazenda, passando por todo período do presidente Fernando Henrique, com a modernização da economia, com a privatização de setores estratégicos, com a consolidação do arcabouço macro-econômico, com metas de inflação, com o câmbio flutuante, com superávit primário, com a criação e aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal – marco definitivo na gestão pública desse país – e o início dos programas sociais, continuado pelo governo do presidente Lula, que num momento de expansão enorme da economia internacional, avança nos programas sociais. Esse período, portanto, de cerca de 18 anos, será no futuro compreendido como um só período da vida nacional, porque não houve ruptura. "
Convergência
"Mais importante do que ficarmos aqui discutindo a paternidade desse ou daquele programa ou buscando comparações artificiais, porque os cenários eram distintos entre esse ou aquele governo, o que nos cabe nesse momento, aos homens e mulheres de bem que se preocupam com o país, é pensar no que ficou por fazer. É compreender a melhor forma de fazê-lo e como construir a nova convergência que nos permita, superar gargalos que, infelizmente, mesmo no momento propício desses últimos seis anos, não foram superados para que o Brasil possa, aí sim, crescer numa velocidade muito maior do que a atual."
Força da Oposição
"Há algum tempo lancei a idéia de que o próximo governo deveria ser um governo pós-Lula. Alguns não compreenderam. Com esse conceito pretendia resumir algumas questões que considero absolutamente cruciais. Primeiro, a minha visão pessoal de que a oposição tem plenas condições de vencer o próximo pleito. Segundo que, para isso, precisamos vencer várias armadilhas que vêm sendo colocadas no caminho. Acredito que a gestão mais complexa em um governo não é a administrativa, nem tampouco a econômico-financeira. É certamente a Gestão Política. Nas duas primeiras pode-se inclusive partilhar a autoridade, delegar responsabilidades. Na Gestão Política não. A autoridade do chefe do poder executivo é indelegável. Essa autoridade, ao meu ver, tem que ser essencialmente democrática, coletiva e incorporadora, de forma a construir a maior base possível de consensos. Só a partir deles é que verdadeiramente conseguiremos avançar."
Pós- Lula
"Não estaremos, em 2010, dizendo sim ou não ao governo Lula. Estaremos escolhendo o futuro. O futuro que, para alguns, virá apesar do presidente Lula. E para outros, por causa do presidente Lula. O que importa é discutirmos o que virá depois dele. (...) O embate está começando e a oposição tem de invertê-lo já, para que não seja iludida por um processo eleitoral que afirma desde já tais desequilíbrios. O conceito pós-Lula é a nossa resposta, é a minha resposta, à armadilha da eleição plebiscitária."
Projetos Compartilhados
"Saibam os senhores que não avançaremos nos amesquinhando em torno de projetos pessoais. Só avançaremos quando considerarmos a tarefa de construção do Brasil uma tarefa e uma responsabilidade de todos. De todos e de cada um de nós, brasileiros. (...) Nos ensinava o presidente Tancredo: Pátria é tarefa diária. Diária, coletiva e compartilhada!"
Confissões
"Acredito que nada revela tanto acerca de um homem quanto as suas crenças. Mais do que os sonhos e os propósitos são as nossas crenças que nos definem de forma mais verdadeira. Porque os sonhos inspiram o inicio da nossa caminhada e os nossos propósitos nos aguardam no final dela. Mas são as nossas crenças, as nossas companheiras de viagem. São elas que definem os caminhos que escolhemos e que terminam por nos definir. Pois hoje, 27 anos depois de ter iniciado a minha vida pública; Depois ter sido parlamentar por 16 anos; 4 vezes líder do meu partido; Depois de ter sido também presidente da Câmara dos deputados; E duas vezes governador dos mineiros; Eu gostaria de dizer aos senhores que eu...
Acredito na política.
Acredito na atividade política como instrumento de transformação da nossa sociedade e acredito que ela possa ser exercida com ética, coragem e respeito.
Por mais que existam dias em que, diante de tantos desatinos, a simples sobrevivência dessa crença me pareça um milagre...
Por mais difíceis que sejam alguns dias...
Por mais absurdos que outros possam ser...
Por mais que, em consequência da exposição da nossa atividade por muitas vezes deixemos de ser vistos como seres humanos e sejamos confundidos com os projetos que representamos... Ainda assim continuo acreditando na atividade política. Milton Campos, grande governador mineiro, costumava dizer que em Minas sempre haverá um palmo de chão limpo onde os homens de bem possam se encontrar. Acredito que deveria ser esse, sempre, o cenário da ação política: homens e mulheres de bem, reunidos sobre o chão limpo do respeito, da coragem e da ética. É nisso que acredito. É essa a política que faço. É essa a causa a que tenho dedicado a minha vida."
Comentários(1)
Tania Mirailce Mendes | 12/11/2009 | 23:26 É por ter esta visao de politica que faço parte do PSDB mineiro, acredito e apoio Aécio Neves á presidencia do nosso país, um governante com visao ampla .
Torço por voce um abraço .
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Frase
da Semana
"Minas é muito grande. Minas, por si só, justifica a minha ação como homem público"