Em artigo publicado, hoje (2/10), no jornal Valor Econômico, o sociólogo e professor universitário, Alberto Carlos Almeida, discorre sobre a importância do currículo e do passado de um político em uma disputa a qualquer cargo público. Segundo ele, um processo eleitoral assemelha-se a uma entrevista de emprego: quem acumula mais experiências vinculadas à vaga oferecida tem maiores chances de conquistar o entrevistador ou o eleitor e de desenvolver as funções às quais se propõe.
Quem tem um bom currículo e um passado coerente, tem maiores chances de atrair um maior número eleitores.
Quem, além disso - concluímos nós -, tem disposição para se expor, caminhar pelo país, apresentar seus projetos e sua história, entra na disputa com vantagens ainda maiores.

Em seu artigo, Alberto Carlos avalia a situação de Aécio:
"Ele está em seu segundo mandato como governador desse Estado (Minas Gerais). Saiu de um mandato de deputado federal para o cargo de governador. Isso é raro, ainda mais na idade em que ele obteve tal feito. Esse passo gigante foi possível porque antes Aécio tinha sido presidente da Câmara dos Deputados.
Ser presidente da Câmara, ou mesmo de uma Assembléia Legislativa, é algo obtido apenas pelos políticos jeitosos e conciliadores. Ser presidente da Câmara dos Deputados e, em apenas dois anos, tomar medidas de grande impacto que comuniquem uma imagem positiva para o presidente da casa não é fácil. Aécio conseguiu isso. Atualmente ele governa o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e nestes quase sete anos de governo o neto de Tancredo Neves formou a imagem de bom gestor, divulgou aos quatro cantos que Minas, sob sua liderança, fizera um choque de gestão de grande envergadura."
Um histórico como esse (aqui bem resumido, como sabemos) já indicaria uma boa largada para qualquer candidatura. Soma-se a isso o fato de, por nunca ter participado de uma campanha em âmbito nacional, Aécio entrar em qualquer disputa com um índice de rejeição menor e um potencial de crescimento bastante elevado.
Alberto conclui: "Afirmei em meu livro A Cabeça do Eleitor que derrotar um governo bem avaliado não é tarefa para quem quer, mas sim para quem pode. Serra e Aécio são justamente os líderes políticos que podem fazer isso". E para estimular um bom debate, ele ainda acrescenta: "Lula é o vento que sopra a sua pipa, mas para voar e permanecer no alto ela precisa ser leve".
Tudo pode parecer simples demais, mas Tancredo Neves diria, também, que o meio e o fim dessa história dependem muito mais do destino do que de qualquer projeto... A nós só cabe torcer e esperar, com consciência de que cada um desses fatores é, desde já, fundamental não só para um resultado eleitoral como também para o futuro de um país.