Na madrugada do dia 23 de fevereiro de 2004, Aécio Neves - de terno branco, com um triângulo vermelho bordado no bolso - abriu o desfile da Mangueira, na Marquês de Sapucaí, ao lado do presidente da escola, Álvaro Caetano, e da cantora Beth Carvalho, participando da homenagem da verde e rosa à Estrada Real, aos caminhos e à cultura de Minas Gerais.
Com o enredo do carnavalesco Max Lopes, a Mangueira entrou na avenida com 4,5 mil integrantes, distribuídos em 35 alas. Na comissão de frente da escola, Carlinho de Jesus, responsável pela coreografia, reuniu vários bonecos e bailarinos, que representavam personalidades mineiras, entre as quais se destacava Tancredo Neves, o avô materno de Aécio.

Foto do site de Carlinho de Jesus
A convite de Aécio, várias personalidades prestigiaram, no camarote ou na avenida, o desfile da Mangueira, como Milton Nascimento; Gilberto Gil; Fafá de Belém; Ronaldo Bastos; Luciano Huck; Ziraldo; Enrique Iglésias (presidente do BID); Vinod Thomas e Paulo Paiva (diretores do Bird); Walfrido Mares Guia; Roberto Freire e Dilma Roussef. Ao encantamento de todos eles, juntou-se a euforia do povo nas arquibancadas e camarotes, que entoou o samba enredo da escola com entusiasmo.
"Foi uma emoção enorme. Ver todas aquelas pessoas aplaudindo a Mangueira e também Minas Gerais. A ‘verde e rosa’ soube mostrar a Estrada Real e os encantos de Minas", disse Aécio Neves, após o desfile.
Vale deixar aqui registrado o samba enredo da Mangueira, em 2004, para sempre marcante na história de Aécio:
Mangueira Redescobre a Estrada Real... e Deste Eldorado Faz Seu Carnaval
De Cadu, Gabriel, Almyr e Guilherme - Intérprete: Jamelão
Mangueira,
Um brilho seduziu o meu olhar.
Me fez encontrar a estrada do sonho
Real desejo de poder e ambição
As trilhas, bordadas em ouro,
levaram tesouros a caminho do mar
Teu chão é um retrato da história
E o tempo não pôde apagar
Hoje eu descubro a beleza
Que faz a riqueza voltar
Por belos recantos, andei
Das suas águas provei
De mansinho, eu peço passagem
A Mangueira vai seguir viagem
Que tempero bom
Pode avisar que a comida está na mesa
Se a pinga não pegar
Eu chego ao Rio com certeza
Na arte, eu vi obras que o gênio esculpiu
Igrejas, o barroco emoldura o Brasil
Ó Minas! És um berço de cultura, és raiz
Que brilha forte em verde-e-rosa
Herança e patrimônio de um país
Eu vou embarcar
Na Estação Primeira
Tesouro do samba, minha paixão
Ê, trem bão!