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Brasília, 14 de Fevereiro de 2001 |
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Folha de S. Paulo, 5 de Março de 2007 |
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Tancredo na Memória
Por Ana Vasco, 7 de Setembro de 2009, 000h38
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Por muitos anos, Aécio Neves evitou falar publicamente sobre os momentos que antecederam a morte de seu avô, Tancredo. Em um relato muito emocionante, ele contou ao jornalista Mário Kertész, na Rádio Metrópole, em Salvador, na tarde de quinta (3/9), trechos das principais lembranças e sensações que ele guarda sobre aquele período.
Confira alguns trechos, transcritos pelo Aécio Blog:
"Com ele (Tancredo) eu caminhei por toda Minas Gerais. Tancredo se elege em 82, para governador de Minas, toma posse no ano de 83 e logo em 84 nós vivemos aquele momento - talvez o mais sublime da cidadania e da mobilização deste País -, que foi a Campanha das Diretas. Andei com ele pelo País inteiro. E a Campanha das Diretas, quando foi derrotada, gerou uma grande frustração no País inteiro. Logo em seguida, surge a candidatura de Tancredo, que precisava de uma grande construção política."
"Eu fui nada mais do que um expectador privilegiado da cena política, porque eu vivia com ele, eu morava com meu avô."
"Aí foi construída toda a articulação política que permitiu ao Brasil ter concebido a mais bem elaborada e exitosa transição do regime autoritário para o democrático, de todos os países, pelo menos na América Latina."
"Vivemos aquela emoção da vitória, depois Tancredo faz aquela viagem ao mundo (...) Foi talvez o momento mais sublime da vida pública de Tancredo e eu tive o privilégio de estar ali acompanhando. Nós voltamos para fazer a montagem final do governo e aí veio toda aquela tragédia que você acompanhou e que emocionou este país, que frustrou a todos nós e que, acho eu, fez o Brasil perder uma ou duas décadas de avanço."
"Tancredo gostava muito da vida. Tinha uma coisa que talvez falte hoje nessa cena política nossa: ele fazia as coisas com alegria, com espontaneidade."
"A posse estava marcada para o dia 15 de março. E mais ou menos no dia 24, ele começa a sentir algumas dores abdominais. (...) Foi detectado por um médico da confiança dele (...) que ele tinha uma diverticulite - algo que poderia ser tratado durante essa semana ou, os dez dias que faltavam para a posse, de forma tranquila, sem gravidade. Era (necessário) um procedimento cirúrgico, mas poderia se aguardar a posse para que se fizesse essa intervenção. Ele continuou trabalhando normalmente. Foi monitorado por esses médicos, fizeram exame de sangue de três em três dias. Em nenhum momento nos alarmaram ou disseram: a questão é fatal, tem que agora operar ou nós não nos responsabilizamos. Nada disso."
"Ele (Tancredo) sofreu a cirurgia. Os médicos nos dizem que a cirurgia foi exitosa, que no dia seguinte ele estaria em condições de tomar posse (...). Eu convoco a imprensa e aviso: Foi muito bem sucedida a operação. Tancredo toma posse amanhã de manhã e está tudo resolvido. Tancredo, às 7 horas da manhã, os médicos fazem com que ele saia da cama, dá a primeira caminhada, escora no meu braço, pára e fala: estorou tudo. Os pontos da operação romperam. Ele volta para a cama. E dali para a frente foram só operações sucessivas. Aí o levamos para São Paulo. Sofreu mais cinco cirurgias em São Paulo. Fomos descobrir, com o tempo, que mais de 40 pessoas tiveram acesso à sala cirúrgica. (...) Se Tancredo fosse um cidadão comum teria sido salvo."
"A última frase que eu me lembro que ele me disse... nessa hora eu estava com a minha mãe ao lado, que era a filha mais velha dele, na UTI... ele disse: eu não merecia isso. Foi a última frase, que eu me lembro, do Tancredo. No dia seguinte ele já não estava consciente. Mas ficou mais quatro dias inconsciente. E faleceu. O Brasil perdeu a grande oportunidade de ter um presidente da dimensão do Brasil."

Comentários(1)
Jennifer-Tool | 26/10/2009 | 06:19 intiresno muito, obrigado
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