Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quarta (16/9), Aécio Neves põe fim a uma séria de especulações sobre a definição do candidato do PSDB à Presidência da República. Nada de acordos, nada de disputas internas acirradas. Aécio continua defendendo as prévias como o melhor instrumento para a escolha interna e para a mobilização das bases.
"Quando falo em outros instrumentos, é porque essa não é uma decisão solitária. Reafirmo que seria um grande equívoco o PSDB novamente definir seu candidato a partir de um pequeno grupo", afirma.
Aécio Neves também acredita que, nas pesquisas, é preciso que se avalie sempre os níveis de conhecimento e de rejeição, bem como a possibilidade de ampliação de alianças. "Seria natural que buscássemos, desde já, além do DEM e PPS, agregar alguns outros atores vitais para a governabilidade. Não cabe a mim dizer quem tem melhores condições para construir essa aliança. Mas tenho trabalhado na busca da atração de outros parceiros. (...) Meu perfil, a construção política que fiz ao longo da vida, me permitiriam atrair alguns outros atores. Digo isso respaldado pelas manifestações públicas desses atores. ", disse Aécio.
E adianta: para as próximas eleições, defenderá o fim da polarização partidária, que sempre dificulta tanto a governabilidade, no país. "O Brasil está em busca de uma nova convergência política".
Aécio garante que apoiara a decisão do partido independente da escolha firmada, mas não pretende ocupar o posto de vice ou compor uma chapa sem a participação efetiva de partidos aliados.
"É hora de termos cautela. Trabalharmos a construção de um projeto para o país. As pessoas precisam olhar para o candidato do PSDB e identificar com clareza algo novo, algo diferente do que está aí", ressalta.
Artigo
Por Ana Vasco, 16 de Setembro de 2009, 03h41
Brasil, as reformas envolvendo até os mais pobres
Aécio Neves
Só uma combinação de importantes fatores pode explicar por que o Brasil conseguiu sair da crise global antes do que se previa, ao contrário da maioria dos países do mundo. O mais importante deles é que temos feito, ao longo dos últimos 15 anos, as reformas econômicas estruturais necessárias para assegurar a estabilidade, para reforçar o mercado financeiro, para modernizar o mercado de capitais e estimular a expansão significativa do mercado nacional, permitindo o acesso ao consumo de um importante segmento da população, com poder aquisitivo limitado.
Graças ao fim do dramático ciclo inflacionário e da nova moeda nacional, o país adotou as ferramentas que nos permitiu progredir rapidamente, como o regime de câmbio variável, o foco das contas públicas, a lei de responsabilidade fiscal, a supervisão independente e eficiente dos órgãos de controle público e os principais programas de transferência e melhora da distribuição de renda. A pobreza diminuiu; o mercado cresceu; aumentaram os investimentos internacionais; a produção interna se expandiu e tem sido diversificada; as reservas internacionais superaram recordes anteriores e os riscos foram reduzidos significativamente. Tudo isto tem gerado uma nova credibilidade e confiança no Brasil. Apesar de tudo, sofremos com a crise. O PIB brasileiro - que cresceu a taxas superiores a 5% ao ano - sofreu uma queda acentuada no último trimestre de 2008, devido à forte redução das exportações e da produção industrial, principalmente de bens de capital e bens de consumo duráveis.
Neste ano, espera-se que a variação acumulada do PIB seja entre -1% e 0. Em 2010, entretanto, a projeção de crescimento é estimada entre 4,5% e 5%, abaixo da tendência pré-crise, mas muito superior ao que se estima para as economias industrializadas e para outros países latino-americanos.
O recente terremoto econômico mostrou que a crise, em poucos dias, pode afetar as empresas que pareciam sólidas, feitas para durarem séculos, e evidenciou de forma dramática a fragilidade das instituições humanas. Por uma nova visão de mundo ou forçados por uma crise que virá, teremos que, em qualquer caso, atender a um cenário complexo - e inédito - a interdependência entre as nações. Este cenário exigiria, para todos os povos, não tanto os novos acordos comerciais, quanto um crescente compartilhamento de responsabilidades: temos um imperativo ético, moral e de sobrevivência de buscar uma verdadeira e necessária solidariedade global. Ou construimos isso fora dos limites tradicionais ou, em última análise, naufragaremos todos juntos, por causa da fragilidade do ambiente e do déficit social do mundo que estamos construindo.
Leia o texto original no site do jornal italianoLa Stampa
Leia abaixo alguns dos principais trechos da entrevista que Aécio Neves deu para os jornalistas José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Joelmir Beting, durante a edição de hoje (15/9), do "Jornal Gente", na Rádio Bandeirantes, em São Paulo:
Turismo em Minas
"Na verdade, ao longo da nossa história, vimos as riquezas de Minas saírem pela estrada real em busca do litoral, principalmente o litoral do Rio de Janeiro, e aí atravessando o Atlântico até alcançar a Europa. O que estamos buscando com o turismo é fazer esse caminho de volta. Buscando com a potencialização da Estrada Real, do nosso patrimônio cultural, do nosso patrimônio religioso, da nossa gastronomia, do ecoturismo, que é uma vertente também do turismo hoje crescente no mundo inteiro. Temos um potencial grande nessa área. Queremos fazer desse nosso ponto na rua Minas Gerais com a Avenida Paulista um centro também de informações, de contato com os operadores de turismo, para que possamos ampliar as visitas ao mais importantes patrimônio cultural do Brasil. Hoje, 60% de todo o patrimônio cultural tombado no Brasil está em Minas Gerais."
São Paulo
"Nunca perdemos o vínculo com São Paulo. São Paulo é um centro econômico não apenas no Brasil, mas é o mais importante da América Latina. Nós, exatamente pela experiência que tivemos ao longo desses anos, achamos que seria importante que isso ocorresse (a criação de um espaço de Minas na capital paulista)."
Espaço Minas Gerais - a "Casa Mineira" em SP
"Este é um projeto que surgiu no ano de 2004. Fizemos esse projeto em parceria com o BID - tivemos aí uma demora na liberação de recursos - e com a Federação das Indústrias. Portanto, não é algo de governo apenas, ele tem essa face empresarial, o que é importante, e eu espero que esse instrumento novo de divulgação das coisas de Minas possa ultrapassar e muito o meu mandato."
Choque de Gestão
"O meu primeiro mandato foi focado na questão da gestão pública de qualidade. O grande desafio da minha geração - pelo menos eu compreendo assim - de políticos é introduzir essa questão da gestão pública de qualidade na agenda do Brasil. O Governo Federal continua de costas para isso. Nós, em Minas, hoje temos todas as nossas ações avaliadas permanentemente, com metas a serem alcançadas. Todos os servidores do Estado, hoje, são remunerados a partir da obtenção do alcance dessas metas. (...) Não há mais o crescimento passivo por tempo de serviço na folha salarial em Minas Gerais. Quando eu assumi eram 22 (secretarias) e hoje são 15. Acho que um processo inverso daquele que ocorre no Governo Federal. Mas o mais importante é que hoje, em qualquer área da administração pública, o servidor para ter um plus no seu salário, para ter uma remuneração a mais, ele tem de alcançar a meta pactuada com o governo no início de cada ano. Isso foi uma revolução na relação do servidor público com o Estado e com o cidadão, uma revolução positiva."
Pré-Sal
"Eu reconheço que os "estados litorâneos" - vamos assim chamar, acho que é mais adequada essa identificação do que "estados produtores", porque estamos falando de uma produção a 350 km da costa - mas eu admito que esses estados possam ter uma participação maior (dos royalties do pré-sal). Em razão da migração que ocorre para esses estados, necessidade de alguns investimentos de infraestrutura que precisarão fazer. Hoje, os estados recebem, na regra atual, 40% dos royalties. O restante é dividido entre estados e municípios e o governo central O que eu tenho proposto - e foi a ideia que levei ao ministro Edson Lobão - é que esses estados litorâneos fiquem com 30% desses royalties. O governo central criaria um fundo, que eu tenho defendido que seja para a educação e saúde, me preocupa um pouco pulverizar demais esses recursos, ficaria com 30%. Os demais estados repartiriam, criariam fundos estaduais a serem geridos pelos próprios estados, que somariam 40% restantes desses recursos. Eu temo que o governo acabe direcionando essa discussão para aquilo que é hoje uma das mais perversas conseqüências do modus operandi do governo federal que é a concentração de receitas cada vez maior na União. Se uma parcela muito expressiva desses royalties ficar sob a guarda e a aplicação, vamos ver crescer essa tendência de o Brasil se transformar quase em um estado unitário. A federação é uma frase fazia, uma expressão vazia, solta."
Direita x Esquerda
"Acho que estamos, na verdade, vivendo de alguns estereótipos que não mais tem relação com a nossa realidade. A partir do momento em que o governo do presidente Lula mantém inalterados, intocados, os pilares macroeconômicos herdados pelo governo anterior, com o câmbio flutuante, metas de inflação, superávit primário; quando adota a Lei de Responsabilidade Fiscal como instrumento importante de controle do setor público, ele, na verdade, se aproxima muito do ideário social democrata. Acho que não temos mais espaço, no Brasil e no mundo de hoje, para discutir "estado máximo" ou "estado mínimo". O que é necessário hoje é o "estado eficiente", estado que apresente resultados a um custo cada vez menor. Estado que gaste menos com a sua estrutura, ao contrário do que acontece no Brasil de hoje, para gastar mais com os serviços, mais com a população. Acho que a grande discussão de hoje não está mais centrada nesses postulados do passado, onde as preocupações sociais eram uma marca dos partidos ou daqueles que se diziam de esquerda. E os de direita seriam aqueles que acreditavam que o mercado por si só teria, ele próprio, as condições de gerar bem estar para as pessoas. (...) Não existe nenhuma ação de maior alcance social do que a boa aplicação do dinheiro público. É isso o que estamos fazendo. Então não há hoje no Brasil uma separação de esquerda e de direita. O que há claramente é entre a eficiência e a ineficiência."
Lula e Serra
"Eu não sei (se estou mais próximo de Lula do que de Serra). Eu tenho uma característica que é de não achar que alguém, por estar no outro campo político, tenha só defeitos e por estar no meu campo, ser meu aliado, tenha só virtudes. Eu reconheço virtudes no governo do presidente Lula. A principal delas foi a responsabilidade fiscal que teve, a responsabilidade de manter. (...) Cada um, no seu tempo, fez o que poderia fazer. Acho que o presidente Lula tem virtudes, senão não teria a popularidade que tem, mas deixa também uma herança preocupante. O aparelhamento da máquina pública, a primeira delas, e esse aparelhamento acompanhado da ineficiência de determinados setores. O aumento, a meu ver, injustificado dos gastos correntes. Nós tivemos nesse período, de seis anos e meio, quase sete anos de governo, enquanto o PIB cresceu em torno de 28%, somados esse período, os gastos correntes do governo cresceram 78%, uma conta que jamais fechará. Mais uma herança perversa para a próxima década."
Empresas estatais mineiras
"Estamos mostrando, talvez, um contraponto até ao próprio Governo Federal: que empresa pública gerida com profissionalismo, traz resultados. A Cemig, nossa empresa de energia, e a Copasa, nossa empresa de saneamento, são as principais referências no Brasil no setor, tanto em resultados econômicos, quanto atendendo a sua responsabilidade social. (...) A Cemig para se ter uma idéia, e aí não são dados meus, são dados públicos da Bolsa de Valores, quando assumi o governo, a Cemig valia em bolsa R$ 4 bilhões. Com a gestão que fizemos, hoje está avaliada em R$ 22 bilhões. É compradora no mercado. Estarei agora dia 30 deste mês levando ao primeiro ministro da Itália, não sei nem se é o melhor momento para visitá-lo, mas como já estava marcado, eu estarei entregando ao senhor Berlusconi, um cheque de R$ 3,5 bilhões (...) para a compra da Terna, que atua em 12 estados brasileiros. Então, quando a empresa pública é gerida com profissionalismo, com pessoas qualificadas, os resultados vêm. Ao mesmo tempo, ela cumpre com a sua função social. Minas Gerais terá, em julho de 2010, todas as suas residências urbanas e todas as suas propriedades rurais com energia elétrica, porque a Cemig está tendo recursos, em parceria com o Governo Federal, eu quero registrar aqui, para cumprir também com a sua responsabilidade social."
Royalties do minério
"Os royalties do petróleo, hoje, variam entre 5 a 10% do resultado bruto da exploração. Os royalties minerais, eles começam com 0,3%, dependendo da qualidade do minério, chegando até 3%, no máximo, do resultado líquido da exploração. (...) O resultado líquido significa o quê? Que a empresa estabelece ali, desconta todos os custos da produção, eventualmente custos financeiros sem qualquer tipo de controle pelo Estado. E eu acho que esse processo de aproximação – não vou dizer nem de isonomia -, mas de aproximação dos royalties do minério com que se arrecada com royalties do petróleo – tem que ser feito com um grande entendimento, inclusive, com as empresas mineradoras. Ninguém quer tirar a competitividade dessas empresas, mas o primeiro passo seria transformar a arrecadação desses royalties num resultado bruto e não mais no resultado líquido, mesmo que num percentual menor que aquele alcançado hoje pelos royalties do petróleo. (...) Se você for pensar do ponto de vista da degradação ambiental e da necessidade de investimentos em infraestrutura para as duas atividades, você vai concordar comigo que, sobretudo o petróleo, que é tirado de plataformas oceânicas, o custo, a degradação que esse petróleo gera é mínimo em relação ao que ocorre hoje nas regiões minerais. E o royalties tem um objetivo que é o de possibilitar que as regiões degradadas, vamos chamá-las assim, possam estabelecer ou identificar uma outra atividade econômica que possa ocupar as pessoas que estão ali na atividade mineral, que quando as jazidas estiverem exauridas, vão estar naquela região vagando, sem qualquer possibilidade..."
Copa do Mundo de 2010
"(...) Minas está cumprindo integralmente o cronograma estabelecido com a CBF. Esse mês ainda, de setembro, está na rua a primeira licitação para a primeira etapa de sustentação do Mineirão, para a nova cobertura, para os novos investimentos. Em março, a segunda, e em abril de 2010, a terceira licitação. Isso significa que, em junho do ano que vem, todo o Mineirão estará em obras e (estará) pronto em dezembro do ano de 2012. Já estamos com os investimentos feitos nos estádios, que vão possibilitar que se jogue o Brasileiro e o Campeonato Mineiro de 2011 e de 2012. Agora, falta a parte do Governo Federal, principalmente no que diz respeito ao metrô de Belo Horizonte, ao transporte de massa, e ao aeroporto internacional, para os quais não foram ainda anunciados os investimentos e a fonte de recursos para esses investimentos."
Parcerias Público-Privadas
"Eu gostaria que o Governo Federal tivesse a compreensão de que a Parceria Público-Privada é um instrumento moderno, eficiente e (que) permite que você não paralise ou deixe de iniciar obras pela ausência de recursos federais. Eu apresentei ao governo, ao lado do então prefeito Fernando Pimentel – já, portanto, há dois anos – e agora ao lado do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, um projeto de Parceria Público-Privada para o metrô de Belo Horizonte. Apesar de ter sido iniciado há mais tempo, é o que vem recebendo menos recursos. Há ali, talvez, uma visão um pouco ideológica de que Parcerias Público-Privadas não seriam o caminho adequado. Até respeito essa posição, desde que ela venha acompanhada de uma solução. Até agora só tivemos a negativa a essa Parceria Público-Privada. Minas, como você disse Joelmir, tem hoje em execução, com extraordinário êxito, a primeira Parceria Público-Privada do Brasil em rodovias. São mais de 500 quilômetros em rodovias que estão sendo reformadas e reconstruídas e ampliadas em Parceria Público-Privadas. Fizemos uma inédita Parceria Público-Privada no sistema de telefonia. Nós tínhamos 450 cidades em Minas Gerais sem sinal de telefonia celular. Hoje, todas as 853 cidades de Minas têm sinal de telefonia celular. É o maior número de municípios entre todos os estados brasileiros. Temos uma parceria já em execução, em obras, no Sistema Prisional, na construção de 3 mil vagas no Sistema Prisional. Eu faço isso não é por uma convicção ideológica ou por uma opção pessoal. É porque é a forma que eu tenho de complementar a incapacidade do Estado de enfrentar, enfim, todos os desafios que têm com recursos próprios. Se tivesse, seria bom, mas não tem."
Aumento do número de vereadores
"Eu vejo com horror. Eu acho que é algo absolutamente fora do tempo, incompreensível, injustificável. Eu tenho dito isso aos companheiros de partido. É uma bobagem você achar que vai com isso ter mais cabos eleitorais. Eu vou dizer, é algo absolutamente insensato nesse instante de tantas prioridades no Brasil, nós brincarmos dessa forma, criando mais algumas milhares de vagas nas câmaras.(...) Eu estou hoje no governo do Estado, mas fui parlamentar a minha vida inteira e sei que não é disso que o Brasil precisa. O Congresso teria hoje outras prioridades."
Guerra Fiscal
"O que nós percebemos hoje é que há um leilão - não apenas em relação à Michellin, mas a qualquer investimento maior ou menor por parte dos estados brasileiros -, que acaba levando ao que aconteceu, por exemplo, no Estado de Goiás e em algumas outras regiões. As isenções foram tão grandes que as empresas acabam se instalando nesses estados e o Estado passa a não ter condições de criar infraestrutura adequada para escoamento da produção dessas empresas ou dessas indústrias. Não tem condições de investir na segurança pública, que passa a ser mais presente, mais necessária nessas regiões. Enfim, o que tenho trabalhado aqui no campo tributário é para que nós tenhamos mecanismos tributários que impeçam a guerra fiscal. Mas Minas Gerais, por sua logística, pela sua localização, é sempre uma alternativa importante para investimentos importantes como esse (a implantação da fábrica da Michellin, no Estado)."
Prévias
"Eu continuo achando que as prévias são o melhor caminho para o PSDB, que tem a tradição de decisões centralizadas. (...) Não existe absolutamente nenhum impedimento. Alguns acham que a prévia pode acirrar uma disputa, um racha partidário. Eu acho que isso está fora de cogitação (...) A partir de 8 de janeiro, a princípio estão marcadas. É óbvio que a prévia pressupõe ter dois candidatos e eu defendo as prévias até como instrumento de mobilização do partido e de definição daquilo que você cobrava, das bandeiras, das propostas do PSDB. Nós não temos que temê-las. Eu acho que o PSDB precisa refundar-se de alguma forma, porque nas duas últimas vezes que nós escolhemos nossos candidatos de forma centralizada – e eu próprio participei dessa decisão – o resultado não foi favorável a nós."
Índices de produtividade rural
"Mais uma decisão imprópria e inócua, a não ser que seja para desestabilizar a produção rural brasileira. Sou, como você mesmo disse, Joelmir, governador de um estado que já é hoje o segundo parque industrial brasileiro; que vem avançando muito no setor de serviços, mas terá sempre a sua economia baseada na atividade rural: agricultura e pecuária. Você não estabelece índices de produtividade por decreto, porque você tem as questões da sazionalidade; você tem as questões de mercado, até mesmo, em determinados momentos, da necessidade de você diminuir a produção para garantir preço; você tem inúmeros aspectos que fogem da vontade pessoal do produtor. E vou até um pouco mais longe: diz que o objetivo dessa medida seria atender uma reivindicação do Movimento dos Sem Terra. Até para os assentados essa decisão é perigosa. Porque pode ser que amanhã - fatalmente ocorrerá -, aquelas famílias que foram assentadas, que não alcançarem esse nível novo de produtividade, terão que devolver as suas terras para o governo reassentá-las futuramente. Então, foi um tiro no pé, que eu não acredito que o Congresso Nacional haverá de aprovar."
Presidência da República
"Eu não tenho obsessão por ser candidato à Presidência da República. Eu gostaria de participar de um processo em que o Brasil vivesse uma nova convergência política. Nós estamos aí, na verdade, correndo o risco de reeditarmos a radicalização e a polarização da política brasileira - que nós assistimos nas últimas quatro eleições presidenciais - que fez com que quem perdesse as eleições fosse para o outro lado do ringue, impedindo que o Brasil avançasse naquelas questões que, como eu disse, são de Estado, não são de um governo, porque são fundamentais para a população brasileira. E o que eu percebo (...) é que, de alguma forma, eu poderia ajudar na construção dessa nova convergência, até mesmo com a atração de alguns partidos políticos que hoje estão na base de sustentação do presidente Lula, mas que não estarão necessariamente no apoio a uma candidatura do PT. Mas a decisão que o meu partido tomar é a minha decisão. Eu, com o mesmo entusiasmo, estarei participando da campanha, se o candidato for o governador José Serra. Eu apenas me dou ao direito de trabalhar pela mobilização das bases partidárias e pela construção dessa nova agenda. Se couber a mim empunhar a bandeira e conduzir essa proposta, eu digo a você, que estou absolutamente preparado para isso. Mas se couber a outro essa missão, eu, com o mesmo entusiasmo, estarei ao seu lado, porque o mais importante é que o Brasil rompa esse ciclo e passe a ter uma administração pública mais eficiente, com mais resultados para as pessoas."
Tancredo Neves
"O Tancredo dizia que Presidência é muito mais destino do que projeto. E veja o seu caso, 50 anos atuando na vida pública com extrema correção, passando pelos momentos mais difíceis da vida pública brasileira, sempre com enorme coerência, eleito presidente da República, o destino não permitiu que ele assumisse. Eu não tenho isso como meu projeto de vida. O que eu vejo nesse momento, até pelos bons resultados do Governo de Minas, e pelo meu perfil político um pouco mais convergente, é que nós poderíamos estar iniciando um novo momento na vida política nacional. Pode ser agora? Pode. Pode ser na frente? Pode. Pode não ser nunca? Também pode. O importante, e aí eu cito mais uma vez Tancredo, que que, na vida, você tem que ter alguns objetivos claros. E objetivos o que é? É agir com correção, é tentar transformar a sua ação política na melhoria de vida das pessoas, sem transigir hora alguma nos princípios e nos valores. E é isso que vou continuar fazendo ao longo da minha vida. Se couber a mim um dia a responsabilidade de governar o Brasil, vou fazê-lo com esses mesmos princípios. Se nunca couber a mim essa responsabilidade, isso certamente não me abaterá, eu continuarei na trincheira que me for possível, trabalhando da mesma forma que trabalhei até aqui."
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, em São Paulo, na manhã de hoje (15/9) Aécio Neves mais uma vez defendeu a realização de prévias para a definição do candidato de seu partido que disputará as eleições para a Presidência da República, em 2010.
Um dos grandes jornalistas brasileiros, Augusto Nunes, lembra, em seu blog, de algumas das lições que aprendeu, com o avô de Aécio, Tancredo Neves, quando, de bem perto, o acompanhou nos últimos anos de sua trajetória política.
Com seus textos, bem temperados e recheados com o humor sofisticado de Tancredo, Augusto Nunes nos leva a pensar no quanto as lições desse personagem fantástico da história do Brasil podem ser aplicadas nos tempos atuais...
Para quem quer aprender um pouco sobre a "política do bem",
feita com leveza e uma boa pitada de ironia:
Em São Paulo, na tarde de hoje (14/09), Aécio Neves foi estabelecer uma verdadeira aliança, no estilo mineiro. No cruzamento entre a avenida Paulista e a rua Minas Gerais, no bairro de Higienópolis, Aécio inaugurou o "Espaço Minas Gerais", um centro de referência que permitirá a apresentação do Estado, especialmente, para a classe empresarial de São Paulo e do exterior e para os agentes e operadores de viagens. Nessa aliança, Minas avança pelo Brasil, com mais um espaço de oportunidades e de divulgação cultural, turística e de negócios.
O "Espaço Minas Gerais" está sediado em um belo casarão da década de 30. Na parte interna, salas douradas, com nomes de grandes artistas, fazem referência à riqueza mineral e cultural do Estado. Aliando a tradição com a vanguarda, o bom gosto com o respeito pela história, Aécio prova, mais uma vez, com esse projeto do Governo de Minas, que seu trabalho já derrubou, há muito tempo, todas as fronteiras regionalistas.
Para a inauguração, Aécio recebeu, na casa, a visita de personalidades de várias áreas, como o jogador do Corinthians, Ronaldinho; o comediante, Tom Cavalcante; o técnico de vôlei, Bernardinho; o apresentador de TV, Luciano Huck; as atrizes mineiras Débora Falabella, Gorete Milagres e Iara Novaes; os escritores Humberto Werneck e José Antônio de Souza; o artista plástico, Mario Cafieiro; os ex-governadores de São Paulo, Orestes Quercia e Geraldo Alckmin; o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal; o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo; o prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab; o vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman; o governador de São Paulo, José Serra; e o ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso.
"Estamos rompendo as fronteiras formais da administração, no campo tributário e no campo político. Acho que esse simbolismo, de uma Casa de Minas, pode nos inspirar ainda a outras caminhadas. Hoje é um ato formal, um ato oficial de governo, mas conversamos, sim, política. É natural que além das nossas responsabilidades administrativas, tenhamos também responsabilidades políticas para com o Brasil. E vamos continuar conversando", disse Aécio, logo após o evento.
Assim, começa a ser firmada, no Brasil, uma grande aliança - a de pessoas sérias que querem trabalhar pelo desenvolvimento do País. Quanto às outras, fundadas em suposições vazias, que antecipam resultados sem considerar o cenário e as possibilidades de forma ampla, essas são descartadas. Seus elos, frágeis, não resistem à verdade.
Minas continua sendo o centro da ampla aliança que um dia será firmada por todo o Brasil.
Itamar
Por Ana Vasco, 13 de Setembro de 2009, 000h17
"Deus o predestinou para restabelecer, no Brasil, padrões de ética e moralidade"
(Itamar Franco, sobre Aécio, durante a cerimônia de entrega
das Medalhas JK, em Diamantina, 12 de setembro de 2009)
"A nova agenda política do Brasil, independente de quem ganhe as eleições,
deve ser apoiada por uma convergência e principalmente
por aqueles que tiveram oportunidade de governar o Brasil
e conhecem claramente quais são esses gargalos.
A minha pregação será sempre olhando para o futuro,
sem olhar no retrovisor da história,
pregando uma nova convergência e com coragem política
para fazer essas reformas.
O papel que vou desempenhar nesse processo o tempo que dirá."
(Aécio Neves, entrevista após a cerimônia de entrega das medalhas JK, 12 setembro 2009)
"A semente que JK plantou, jamais se perdeu.
E, hoje, a sua memória nos empurra na direção do futuro.
Ao vislumbrar os contornos da história,
podemos constatar que, a cada geração,
de alguma forma, cabe a tarefa de recriar o país,
apontar novos caminhos, rever instituições e modelos
e buscar a sintonia que irá nos garantir
o espaço que nos pertence por vocação e direito.
Mais do que nos impunha o passado,
nosso tempo exige flexibilidade, diálogo, atenção,
intensa participação, responsabilidade compartilhada
e novas formas de encarar os desafios do futuro.
O Brasil de hoje compreende, cada vez mais,
que o futuro não está nas mãos de um homem ou de um grupo,
não depende de um messias ou de um salvador da pátria.
O futuro depende de todos e de cada um de nós."
(Aécio Neves, Cerimônia de Entrega das Medalhas JK, Diamantina, 12 set. 2009)
Hoje (12/9) foi um dia de muita emoção para Aécio Neves. Em Diamantina (MG), ele presidiu, pela última vez, como governador de Minas, a cerimônia em comemoração ao aniversário de Juscelino Kubitschek e de entrega das medalhas JK.
"Esta solenidade toca no fundo da alma dos mineiros que como eu valorizam a nossa trajetória. Juscelino é sempre uma inspiração. Ao estar aqui no solo de Diamantina, é natural que eu me sinta estimulado - contemplando o cruzeiro à nossa frente, que Juscelino tanto contemplava - e também impulsionado, a pensar o Brasil e os desafios que temos pela frente", afirmou Aécio.
Aécio foi recebido, na casa em que nasceu JK, pela filha do grande estadista, Maristela Kubitschek Lopes. Lá, descerrou uma placa em comemoração aos 50 anos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), criada por JK. Sempre acompanhado por Maristela, depositou flores no monumento do ex-presidente e entregou 180 medalhas a personalidades que se destacaram nas mais diversas áreas, no Brasil.
Durante o evento, os integrantes da Velha Guarda da Mangueira prestaram uma homenagem ao governador, cantando o samba enredo sobre a Estrada Real, que, em 2004, foi o tema do desfile da escola carioca.