"(O 15 de novembro) é talvez a data mais relevante
da nossa sociedade moderna. A República permitiu aos brasileiros,
eles próprios, a partir da proclamação feita pelo Marechal Deodoro,
definirem o seu futuro. Portanto, é um momento de reverência que todos
brasileiros fazemos a esse grande alagoano, a esse grande brasileiro.
Minas também teve papel muito importante em momentos decisivos
da vida nacional. Estou aqui hoje para reverenciar Marechal Deodoro
e dizer que essa homenagem que recebo certamente
é uma homenagem dirigida aos mineiros,
muito mais do que individualmente a este governador.
Para mim, ela tem um caráter muito especial, porque me é ofertada
por um grande e querido amigo, um dos maiores companheiros
que eu construí e, enfim, que eu tenho na minha trajetória política,
o governador Teotônio Vilela."
(Aécio Neves, durante as cerimônias de comemoração
do dia da Proclamação da República, em Maceió, Alagoas, 15 de nov.)
Quem conclamou Aécio Neves para disputar, com todo o seu apoio, as eleições para o governo de Minas foi Itamar Franco, que, na época, era o governador do Estado.
Foto: Wellington Pedro/Imprensa MG
Aécio oficializou sua decisão no dia 19 de junho de 2002, em uma nota lida à imprensa, logo após um encontro com Itamar, no Palácio da Liberdade. Ela dizia: "desprezei os conselhos da prudência pessoal que nos indicavam uma disputa mais cômoda, a de senador da República. Há limite para ousadia, como há limite para prudência".
Resultado da Enquete Qual destes políticos deu a Aécio o apoio fundamental para a candidatura ao governo de Minas, em 2002?
Aécio Neves com o cantor Djavan / Foto: Thiago Sampaio
Aécio Neves foi condecorado, na noite de ontem (15/10), em Maceió (AL), com a Medalha do Mérito da República Marechal Deodoro da Fonseca, durante a comemoração aos 120 anos da Proclamação da República. A medalha foi entregue pelo governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho.
A Medalha Marechal Deodoro é concedida, anualmente, pelo governo alagoano, aos cidadão que se destacaram por contribuir com o processo de consolidação da democracia no país. Também receberam a medalha: o usineiro Cândido Ribeiro Toledo; o cantor Djavan; o cineasta Cacá Dieges; o músico Hermeto Pascoal; a desembargadora Elisabeth Carvalho; o auditor fiscal Francisco Araújo Filho; o professor José Hermógenes; e o poeta, escritor e jornalista Lêdo Ivo.
Durante a cerimônia, Aécio Neves depositou flores na estátua do Marechal Deodoro da Fonseca. Daqui a algumas horas, ele vai participar de um café da manhã com as lideranças do PSDB de Alagoas.
O nome de Aécio Neves deixou de ser apenas uma possibilidade para o Palácio do Planalto. Nesta semana, conforme assegura a reportagem da revista Isto É, que chegou às bancas hoje (14/11), ele passou a ser uma alternativa concreta para o seu partido.
De acordo com a Isto É, o encontro de Aécio com um grupo de cerca de 100 empresários, em São Paulo, na última segunda-feira (9/11) foi uma espécie de "batismo" de sua candidatura. "Com um discurso de conciliação com os adversários, reconhecimento aos acertos do governo Lula e fidelidade ao projeto do PSDB, sobretudo no caso das privatizações, Aécio ganhou a plateia composta por nomes como Luiz Trabuco (Bradesco), Roberto Ermírio de Moraes (Votorantim), Ivan Zurita (Nestlé), David e Daniel Feffer (Suzano), Horácio Lafer Piva (Klabin), Cledorvino Bellini (Fiat), José Carlos Pinheiro Neto (General Motors), Patrick Larragoiti (Sul América), entre outros", diz a revista.
O discurso de Aécio encantou a platéia que o aplaudiu, de pé, por cerca de cinco minutos. Com carisma, uma bela oratória e uma linha política condizente com a que o cenário exige, Aécio tem tudo para conquistar definitivamente a posição de candidato. De acordo com a Isto É, "os empresários deixaram o jantar convencidos de que ele disputará o Palácio do Planalto. Mas antes mesmo de ser aplaudido à noite, o governador já havia obtido sucesso ao fazer a palestra Novos rumos para o Brasil para outros 300 empresários reunidos pelo grupo Lide em um hotel em São Paulo. Nos dois eventos, Aécio agradou ao defender um choque de gestão no governo federal, embora tenha deixado claro que o PSDB jamais aceitará a "armadilha" imposta por um partido e um candidato que se confundem com Estado e governo e que pretendem transformar a disputa em uma eleição plebiscitária".
O sucesso que Aécio fez, entre os empresários e as pessoas que estão conhecendo seu perfil e suas propostas, se refletiu também em uma pesquisa eleitoral recente, realizada pelo Instituto Vox Populi e divulgada pela Isto É. Segundo o levantamento, feito com 2 mil eleitores de todo o país, de forma espontânea (sem a apresentação de uma lista de nomes), Aécio despontou com 11%, abaixo apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não disputará a reeleição, e que teve 13% das intenções de votos. Abaixo dele, José Serra recebeu 10%; Dilma Rousseff, 6%; Ciro Gomes 3%; Marina Silva 2%; e Heloísa Helena apenas 1%. Na pesquisa, 53% não souberam indicar um candidato preferido.
Antes mesmo de divulgar essa entrevista para a revista Isto É, o mesmo instituto realizou uma pesquisa estimulada na qual Aécio - embora esteja em terceiro lugar, com 18%, abaixo de Dilma, com 20% e de Ciro com 19% - apresentou o menor índice de rejeição entre os principais concorrentes - apenas 5%.
Como se já não bastassem os bons resultados nas pesquisas e o visível apoio recebido pela classe empresarial, Aécio também teve outras boas surpresas durante a semana. Em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, do Uol Notícias e da Folha de S. Paulo, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, reconheceu que Aécio é mais "amplo politicamente" como um possível candidato da legenda, com uma capacidade maior de agregar apoio dos partidos em torno de seu projeto. É uma constatação clara. Além do DEM, Aécio tem também a possibilidade de integrar a sua aliança o apoio de parte do PMDB e do PDT, PP e PSB.
A revista Isto É nos mostra qual é a amplitude e força dessa aliança. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que é o candidato do PMDB em Minas, já disse que, embora seja aliado de Dilma, atualmente, não pretende ir contra uma candidatura de Aécio. E até o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, segundo a revista, confessou ao senador Cristóvão Buarque, nesta semana, que se Aécio for presidente o PDT vai apoiá-lo - declaração que foi contestada, mas que a revista confirma. Segundo a Isto É, Aécio também tem a disposição de apoio do deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical; do senador Francisco Dornelles, presidente do PP; e do presidente do PSB, o governador Eduardo Campos.
Na base parlamentar do PSDB, o apoio a Aécio também ficou claro, nesta semana, durante um evento de boas-vindas aos novos filiados do partido. "Valorizo muito aqueles que buscam uma nova filiação partidária no momento em que esse partido não tem poder para distribuir, no momento em que este partido está na oposição, disse Aécio para mais de 50 deputados e quase dez senadores. Resultado: além de aplausos, ouviu gritos de Aécio presidente. Horas antes do jantar, os deputados Eduardo Barbosa e Nárcio Rodrigues, ambos do PSDB mineiro, circularam pelo salão verde da Câmara com um adesivo dizendo: Aécio é bom para Minas e será melhor para o Brasil", conta a Isto É.
Mas embora todo esse apoio esteja cada vez mais forte e visível, ainda depende da cúpula do PSDB a decisão sobre o nome que assumirá a candidatura à presidência pelo partido. Aécio estabeleceu dezembro como o seu prazo para essa definição. E agora todos começam a sentir que se perderem Aécio como candidato, quem perde mais é o Brasil.
Aécio Neves esteve, na noite de quarta-feira (11/11), em dois encontros com lideranças do PSDB, em Brasília. O primeiro foi uma homanagem aos novos filiados do partido. Logo em seguida, ele encontrou-se com a bancada mineira da Câmara e com o deputado Rodrigo Maia, o presidente nacional do DEM.
De acordo com matéria do O Globo online, Aécio fez muito sucesso em seu pronunciamento, no primeiro evento. Ele sinalizou a possibilidade de uma aliança com partidos da base do governo, como o PP e o PTB, e propôs a abertura de um canal de diálogo com os movimentos sociais e sindicatos. Também falou sobre a necessidade de o partido evitar uma eleição plebiscitária com o PT e enfatizou a capacidade de gestão dos dois pré-candidatos da oposição.
O deputado tucano Nárcio Rodrigues, que participou do encontro, falou ao O Globo: "Estamos numa situação pró-ativa. Aécio é a novidade e demonstra que pode crescer e aglutinar forças políticas. Tivemos 37 milhões de votos nas eleições passadas, sem alianças não vamos passar disso".
No segundo evento, ao lado de cerca de 40 parlamentares, Aécio agradeceu publicamente ao depurado Rodrigo Maia por todas as declarações que o parlamentar tem feito à sua candidatura.
Mais uma vez, o jornalista Augusto Nunes oferece a todos nós, seus leitores, um texto primoroso sobre Tancredo Neves e sua relação com a política. A pequena história é a última da série sobre Tancredo, que compõe a seção "Baú de Presidentes", postada em seu blog, que, em breve, será publicada em livro. No espaço dedicado a Tancredo, Augusto conta sobre seis lições que aprendeu com o ex-presidente, no tempo em que, como jornalista, se dedicava à cobertura política, na revista Veja.
Na sexta e última lição postada por Augusto Nunes, ele se lembra de Tancredo, preparando-se para a disputa à presidência, pelo Colégio Eleitoral. Embora já estivesse bastante confiante quanto à vitória, Tancredo ainda não se sentia completamente à vontade para grandes comemorações:
"─ Morro de medo quando meu nome fica em evidência ─ começa Tancredo a repetir uma das frases prediletas. ─ Nunca me convidam para um banquete. Só se lembram de mim na hora da tempestade.
Esse é capaz de conseguir algum tipo de acerto até num Maracanã em dia de Fla-Flu, penso.
─ Mas não aceito o entendimento a qualquer preço ─ ele replica ao que eu não disse. ─ A conciliação só pode ser feita em torno de princípios. É também por isso que acho mais complicado conseguir um acordo entre contrários do que uma vitória eleitoral."
Tancredo, que foi o articulador de uma grande aliança pelo Brasil, ele que sempre foi o grande mestre das costuras e conciliações, nunca aceitou unir-se a quem não defendia o caminho democrático para obter vantagens ou conquistar o poder. Assim, compreendemos o que Aécio Neves, o mais dedicado aprendiz do avô, tem defendido. Criando um elo com aqueles que desejam progressos, com ética e uma gestão eficiente e os avanços mais profundos na área social, Aécio trabalha verdadeiramente pelo país, sem transgredir princípios. É nesse sonho que ele acredita. E é esse o sonho possível para uma vitória ampla e ética, da sociedade.
"Só podia ser Tancredo Neves o candidato da mais multifacetada aliança política da história republicana. Nenhum outro juntaria na mesma campanha todos os autênticos e todos os moderados remanescentes do PMDB. Nenhum uniria num só bloco todos os partidos de oposição, com a exceção previsível do PT, que optou pela abstenção. Nenhum atrairia tantos governistas dissidentes. E nenhum escaparia ao veto ostensivo de oficiais inconformados. Se não existisse um doutor Tancredo, o Brasil teria de esperar sabe-se lá quanto tempo ainda pela ressurreição da democracia".
O texto de Augusto Nunes é imperdível - a despedida revivida de um personagem que marcou a história e os sonhos de nosso país.
Tancredo Neves, "aquele mineiro de 75 anos, baixo,
calvo e de nariz arrebitado, a barriga um tanto pronunciada,
camuflada por ternos bem cortados e olhos escuros e vivos
que se apertavam no sorriso frequente",
na perfeita descrição de Augusto Nunes.
Veja aqui as seis lições de Tancredo, que Augusto Nunes nos ensinou:
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, do Uol Notícias e da Folha de S. Paulo, fez, hoje (10/11), uma avaliação sobre a situação do seu partido no processo de escolha do candidato à disputa eleitoral para a Presidência da República, em 2010.
De acordo com o senador, Aécio é um governador com muita aprovação em seu Estado, é "um político com enorme capacidade de articulação e tem um imenso potencial". E completou: "Eu diria que ele é mais amplo politicamente (...). Teria mais apoio dos partidos que não são do campo da aliança".
Sérgio Guerra acredita em um entendimento entre os pré-candidato para a definição de quem disputará as eleições. E reforça: a possibilidade de uma chapa única é uma aposta que ele não faz.
Aécio Neves tem apresentado, para o PSDB, a possibilidade de um posicionamento diferente na disputa presidencial de 2010. Na tarde de ontem (10/11), em uma palestra para empresários do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, ele reforçou qual é a linha que o conduzirá, como pré-candidato do partido, em alternativa à assumida por algumas lideranças da oposição - e pelo governo -, até então.
"Não estaremos, em 2010, dizendo sim ou não ao governo Lula. Estaremos escolhendo o futuro. O futuro que, para alguns, virá apesar do presidente Lula. E para outros, por causa do presidente Lula. O que importa é discutirmos o que virá depois dele. O conceito pós-Lula é a nossa resposta, é a minha resposta, à armadilha da eleição plebiscitária", reforçou Aécio, em seu pronunciamento.
Aécio não se dispõem a fortalecer um sistema político polarizado, a criticar adversários ou comparar governos passados. Ele quer discutir o futuro, projetos concretos, e trabalhar com alianças amplas, que gerem a possibilidade do poder compartilhado.
"Gostaria, até pelas relações que tenho, de fazer esse chamamento a uma nova convergência nacional, uma nova construção a favor, não desse ou daquele governo, mas a favor do país. Acho que o Brasil estaria maduro para viver um 2010 diferente do que viveu nas quatro últimas eleições presidenciais", explicou Aécio, em entrevista após o evento.
Agora, o PSDB tem também a oportunidade de escolher a linha que deverá assumir no embate eleitoral de 2010. A mesma que o governo pretende seguir - a do reforço à polarização - ou a da convergência política. É preciso pensar bem, sem adiar muito as decisões definitivas, pois o Brasil tem pressa.